Os responsáveis por transformarem as políticas de segurança em um verdadeiro quarto escuro promovem o caos ao não oferecerem nada além de um belicismo irracional para combater o crime em suas regiões
Em 2013, o aumento das passagens causou grande revolta porque limitava a mobilidade da população mais pobre pelas cidades. Agora, é a vigilância massiva, com a instalação de câmeras por todo lado, que cumpre esse papel. O PL 1828/2023, que autoriza a instalação de sistemas de reconhecimento facial nas vias e nos transportes públicos, passa a condicionar o direito de ir e vir. Para andar por qualquer lugar, nossos rostos serão capturados e transformados em cálculos matemáticos. E há algo que não tem sido dito: quem vai pagar essa conta? O preço do direito de ir e vir é o seu rosto e, muito provavelmente, os custos de aquisição e manutenção dessas câmeras também ficarão para nós, trabalhadores.
Com a tramitação acelerada por interesses restritos ao setor empresarial, o PL 1828/23 avançou para votação sem ter realizado um momento sequer de debate público com a sociedade civil organizada. A proposta consiste em colocar câmeras com reconhecimento facial em todos os transportes públicos do país para, supostamente, capturar acusados de crimes. Já sabemos que a tecnologia é falha, como demonstram diversos estudos, e não impacta significativamente na redução de indicadores criminais, além de cumprir um papel mais moral que efetivo, servindo como artifício para aplacar o medo da população. Mas, para além do engodo em ano eleitoral, é preciso dizer que a expansão do aparato de vigilância tem sido um negócio altamente rentável.
E também intimidação, vigiar e punir, independente do que seja.