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Seu smartwatch acerta os batimentos, mas mente sobre as calorias, segundo estudo de 2026
Smartwatches viraram item de rotina para monitorar treino, mas a precisão deles em frequência cardíaca (FC) e gasto energético (GE) ainda era pouco caracterizada entre modalidades diferentes.
O estudo comparou quatro relógios comerciais:
• Apple Watch Series 7;
• Samsung Galaxy Watch 4;
• Fitbit Charge 5;
• Garmin Vivosmart 5.
Os quatro relógios foram testados contra os padrões ouro: eletrocardiograma para comparar com frequência cardíaca e calorimetria indireta para comparar com gasto calórico.
62 homens adultos saudáveis fizeram protocolos padronizados de exercício aeróbio (esteira, em zonas de intensidade pela fórmula de Karvonen) e de força (supino, agachamento, remada T-bar e terra, a 10 repetições máxima), usando os quatro relógios ao mesmo tempo.
• FC no aeróbio: todos os relógios foram excelentes.
Correlações fortes com o eletrocardiograma (r = 0,67–0,97), confiabilidade altíssima (ICC > 0,94) e limites de concordância estreitos (± ~10 bpm).
• FC na musculação: também muito boa (correlações r > 0,95, ICC até 0,99), mas com uma ressalva: só o Apple Watch não diferiu significativamente do eletrocardiograma.
Galaxy, Fitbit e Garmin mostraram atraso ("lag") ao captar picos rápidos de FC entre séries.
Por que a FC funciona bem
O punho foca relativamente estável segurando o equipamento, e os movimentos rítmicos do aeróbio geram sinal limpo e fácil de corrigir por acelerômetro.
Gasto energético (calorias) Aqui a história muda completamente. Todos os relógios erraram, superestimando o gasto energético de forma consistente no aeróbio, com limites de concordância largos.
Na musculação foi pior ainda
As correlações com a calorimetria foram fracas (r = 0,10–0,34) e a confiabilidade ruim (ICC < 0,45). Apple, Galaxy e Garmin superestimaram muito. O gasto médio na musculação foi 143 kcal e os relógios reportaram quase o dobro.
A raiz do problema
Frequência cardíaca é um sinal medido diretamente; caloria é um valor inferido por algoritmos proprietários (não divulgados) que combinam frequência cardíaca, movimento e dados do usuário.
A relação entre frequência cardíaca e consumo de oxigênio deixa de ser linear em alta intensidade e no padrão intermitente da força; assim, o erro se acumula.
Conclusão prática:
Use o relógio para monitorar intensidade e treinar por zonas de FC; nisso ele é confiável.
Mas encare o número de calorias com desconfiança, especialmente na musculação. Ele serve mais para acompanhar tendências relativas do que como valor absoluto.
Referência: Lee et al. (2026). Comparative Validity of Smartwatch-Derived Heart Rate and Energy Expenditure During Endurance and Resistance Exercise. Sensors, 26(8), 2526.